Sábado, 24 de Julho de 2010 - 09h33 Uso contínuo de aparelho celular pode ser prejudicial à audição
Fonte: Postado por : João Paulo
Com a correria e o estresse da vida cotidiana, o celular virou um equipamento essencial. Pronto para resolver problemas a qualquer hora, o pequeno aparelho se modernizou e muitos profissionais dependem dele a maior parte do dia. Apesar disso, o ideal é tirar um pouco o equipamento da cabeça já que segundo estudo realizado pela revista "Occupational and Environmental Medicine" o uso contínuo pode dobrar o risco do usuário desenvolver zumbido crônico e chiado no ouvido.
De acordo com os pesquisadores responsáveis, a incidência desse sintoma já atinge cerca de 15% da população de países desenvolvidos e a má notícia é que as opções de tratamento ainda são escassas. A teoria dos estudiosos é baseada no efeito da alta energia micro-ondas produzida pelos telefones celulares. Apesar de ainda não existirem provas concretas, essa tese tem sido apontada como a responsável pelo problema.
De acordo com o otorrinolaringologista Raimundo Júnior, sabe-se que equipamentos como MP4 e outros, onde o usuário introduz diretamente no ouvido a fonte sonora, além disso, a exposição prolongada a sons maiores que 85 decibéis podem causar danos ao ouvido humano. "A lei brasileira permite 85 decibéis com exposição de até 8h diárias. A partir disso, o barulho pode ser prejudicial à saúde", diz o médico. Outro detalhe que chama atenção, é que muitas crianças já utilizam o equipamento com frequência.
Segundo o médico, o problema do zumbido decorrente do uso contínuo do celular não é comum, mas pode acontecer. "Quando o uso do telefone é muito frequente, ou ainda se o volume do celular for muito alto, isso pode acontecer. Algumas vezes as pessoas colocam o volume do aparelho tão alto que de longe conseguimos ouvir a conversa", comenta o especialista. A intensidade e a duração das chamadas, além da preferência de orelha podem contribuir para o problema.
Ele explica que dependendo da intensidade, o som pode afetar as células ciliadas existentes no ouvido interno que são responsáveis pela captação sonora. "Quando elas são expostas a uma intensidade muito grande de barulho elas adoecem e não conseguem fazer a captação. Depois disso, elas começam a produzir o zumbido", reforça o otorrinolaringologista.
Os problemas causados nessas células podem ser considerados temporários, mas podem evoluir para um trauma permanente. "Esse trauma acústico pode ser temporário, como acontece quando vamos a uma festa e ficamos muito perto da fonte sonora. Como o barulho está bem acima de 100 decibéis, geralmente ficamos com um zumbido no ouvido no dia seguinte, uma sensação de abafamento. Na maioria dos casos, após um período a audição volta ao normal", diz Raimundo.
Em outros casos, conforme o médico, a perda pode ser permanente. "Isso vai depender da frequência da exposição e também as características biológicas da pessoa", esclarece. Na dúvida, ele recomenda: "melhor baixar o volume do celular e alternar o ouvido para evitar problemas", indica o otorrinolaringologista. E se o paciente sentir que o zumbido persiste, ele deve procurar com urgência um especialista. |